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POR QUE A PRIVATIZAÇÃO TE BENEFICIA DIRETAMENTE?


Muita gente não se importa com privatizações porque acha que isso não vai impactar muito a sua vida. Mas o impacto é enorme! Vou falar rapidamente de um caso.


Há 20 anos havia um cargo extremamente cobiçado dentro do governo federal: a presidência de uma telefônica estatal. As chamadas “teles”.


Os postos eram disputados a tapa. No primeiro ano do governo Fernando Henrique Cardoso, apenas o poderosíssimo Antônio Carlos Magalhães (ACM) conseguiu manter seu indicado no cargo. O motivo? Quem controlasse as teles, controlaria a instalação de orelhões nos estados.


E em uma época em que celulares eram quase inexistentes e os telefones fixos custavam milhares de reais, instalar um orelhão era uma garantia de votos. Ou seja, controlar a estatal era muito importante para ser reeleito.


Mas isso tudo acabou quando o sistema telefônico brasileiro foi privatizado. As indicações deixaram de ser feitas por políticos e passaram a ser feita por empresários. Os celulares passaram a ser abundantes e os telefones fixos baratos.


Isso ocorreu porque, essencialmente, privatizar significa mudar o controle de uma empresa do Estado para mãos privadas. O interesse deixa de ser ganhar votos e passa a ser lucrar, e para isso deve-se oferecer um serviço de qualidade e com preço acessível.


Esse processo de privatização pode ocorrer de diversas maneiras. E cada maneira pode ter um resultado diferente.


Por exemplo, através de uma doação direta. Supostamente foi isso que o czar reformista Pedro, o Grande, fez ao visitar a cidade de Kazan e fiscalizar duas fábricas de tecido. Uma era estatal, a outra privada. Na fábrica estatal, encontrou trabalhadores bêbados e teares quebrados. Na privada, limpeza e eficiência. Sem pensar duas vezes, Pedro supostamente teria entregue a fábrica estatal nas mãos do empresário kazaniano.


Outra maneira é a distribuição de ações diretamente para a população. Na Iugoslávia socialista, no início dos anos 90, esse modelo foi tentado em menor escala. Os trabalhadores de uma fábrica estatal, por exemplo, se tornavam os seus novos proprietários.


Mas o comum mesmo é a privatização através de um leilão. Os governos lançam um edital para a venda de uma estatal e, no final, declaram um vencedor. Os critérios podem ser diferentes além de simplesmente o maior lance. No bem-sucedido programa de privatizações da Estônia, as propostas também eram classificados de acordo com a capacidade de investimento dos ofertantes e outras variáveis.


No caso da Embraer, o governo simplesmente vendeu a empresa para quem desse o maior lance. Agora, no leilão do sistema telefônico houve mudanças. O Estado teve participação ativa concedendo empréstimos subsidiados e fazendo os fundos de pensão participarem dos consórcios ofertantes.


O resultado é evidente. Você acha coincidência a Embraer ter se tornado uma empresa valiosa no mercado internacional e as telefônicas sempre sofrerem com reclamações?

Deputado Estadual pelo Partido NOVO Giuseppe Riesgo

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