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  • Giuseppe Riesgo

NÃO EXISTE MÁGICA PARA AUMENTAR OS SALÁRIOS


O que ocorreria se todos os produtores de carne bovina se unissem e decidissem em conjunto a vender seu produto por R$ 500/Kg? Ou se uma lei ou regulamentação os obrigasse a isso? Provavelmente você deixaria de comprar carne da mesma forma que hoje. Procuraria alternativas a ela e, no final, os produtores acabariam recebendo R$ 0 seus. Você pararia de comprar carne bovina, trocaria por frango, peixe, deixaria de comer carne ou o que seja.


No afã de ganharem muito, os produtores aumentaram o preço do seu produto e acabaram com nada. A lógica é elementar. Difícil encontrar alguém que discorde dela neste caso. Curiosamente, quando a levamos para outros campos, tudo parece mudar.


Um trabalhador sem experiência e com pouca qualificação poderia ganhar ambos se arranjasse um emprego. Aprenderia um novo ofício e ganharia experiência no mercado. Entretanto, graças ao salário mínimo, ele é obrigado a vender sua força de trabalho por um preço superior ao que as pessoas estão dispostas a pagar. No final, assim como os produtores de carne, acaba ganhando R$ 0.


Sua situação é ainda pior. Experiência e qualificação são os motores do crescimento salarial de um indivíduo. Sem emprego, ele ficará privado de conseguir ambos e entrará num círculo vicioso: não tem emprego porque não tem experiência, não consegue ter experiência porque não tem emprego.


Esse fenômeno já é entendido há muito tempo pelos economistas. Um político não pode aumentar salários com sua caneta. O que ele faz é desempregar todas as pessoas que não ganharão o novo salário.


Não é à toa que 79% dos economistas americanos concordam que aumentar o salário mínimo aumenta o desemprego entre trabalhadores sem qualificações e jovens adultos. Para eles, aumentar o salário mínimo significa tirar os primeiros degraus da escada da vida e pedir que eles subam o resto sozinhos. E isso, após tudo, é o que realmente os impede de ter salários maiores.


Não é a caneta de um político que aumenta salários. Ela não é mágica. Para o Brasil ter salários maiores, ele precisa ter uma produtividade maior. Entre 2003 e 2013, a produtividade dos chineses aumentou em 10%. A nossa ficou quase estagnada e cresceu apenas 1,6%. Resultado? Hoje, os chineses já ganham mais do que os brasileiros.


Se nós queremos aumentar os salários precisamos aumentar nossa produtividade. Economistas de esquerda e direita concordam com isso. Paul Krugman, autor do livro “A Consciência de um Esquerdista”, costuma dizer que para a prosperidade, “produtividade não é tudo, mas, no longo prazo, é quase tudo”.


Está na hora de deixarmos de acreditar que existe mágica. Melhorar nossa vida e nossos salários não depende de uma caneta milagrosa, mas de encarar de frente os problemas que travam o Brasil.

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Deputado Estadual pelo Partido NOVO Giuseppe Riesgo

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