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  • Giuseppe Riesgo

Controle de preços é o melhor caminho em crises como a do coronavírus?



A cena não é propriamente uma novidade: Algum tipo de calamidade ocorre, a demanda por determinados tipos de bens ou serviços aumenta e, consequentemente, estes ficam mais caros. Em temporais é assim, em furacões também e, numa pandemia com a atual, não seria diferente.


Quando este tipo de situação acontece, a primeira solução encontrada passa por algum tipo de ação estatal: ou controle de preços ou mesmo confisco e fechamento de estabelecimentos que estariam praticando tais atos abusivos contra os consumidores. Este é justamente o tipo de medida baseada em senso comum que parece simples e bonita, mas na verdade é ineficaz, irresponsável e condena todos a prateleiras vazias e escassez.


Nas linhas abaixo, explicarei o porquê.


PRA QUE SERVEM OS PREÇOS?


Diferentemente do tratamento dado pela imprensa e por boa parte dos justiceiros sociais do Twitter, os preços não existem para serem justos; sequer sabemos quais são os critérios para definir o que é, de fato, um preço justo. Tentar ditar quanto um produto deve custar não passa de exercício de futurologia, sem base científica alguma, feito por pessoas que não entendem ou negam o funcionamento da economia.


O sistema de preços não funciona de acordo com a simples vontade das pessoas, não é um mero número que escolhemos arbitrariamente. Eles flutuam naturalmente de acordo com a oferta e demanda dos produtos, e têm um papel de coordenação. São os preços que demonstram a quantidade de bens que os consumidores querem (demanda) e enviam a informação para os produtores (oferta) do quanto eles devem produzir.


Quando os consumidores e ofertantes interpretam bem a informação enviada pelos preços, a economia se aproxima do equilíbrio: quantidades suficientes são produzidas para saciar o desejo dos consumidores. O "preço ideal" é este: O que mantém a estabilidade da produção e do consumo. E isso varia com o tempo, variando também o próprio preço. Em resumo: um grupo de pessoas, por mais qualificadas que sejam, não consegue ditar quais são os preços certos ou justos. Essa variação de preços ocorre naturalmente na economia, seguindo o fluxo de milhares ou milhões de compras e vendas que acontecem todo dia. Isso é o que chamamos de mercado.


Dessa forma, se alguma anomalia acontece do lado do consumo ou da produção, os preços variam mais. Se um produtor comete um erro de planejamento e acaba produzindo mais do que o necessário para vender, vai acumular estoque. Dessa forma, os preços baixam, pois - de maneira simples - é preciso convencer que mais pessoas comprem aquele produto. Este preço mais baixo sinaliza que a produção precisa ser reduzida.


Da mesma forma, o contrário acontece quando a oferta cai - ou quando a demanda aumenta repentinamente. Nestes casos, o preço AUMENTA. É o que experimentamos quando ocorre uma quebra na safra de arroz (oferta reduzida) ou quando a procura por um produto explode (como está ocorrendo agora). Os preços mais altos, nestes casos, cumprem um papel fundamental de desaquecer o consumo e evitar que o produto falte nas prateleiras.


Basta pensar: O que é mais caro? Um item comum ou um item raro?


Na situação em que estamos vivenciando agora, o álcool gel, por exemplo, era um produto que possuía uma demanda constante. Algumas pessoas compravam, mas não compravam aos montes. Com a crise do coronavírus, de uma hora para outra, milhares de pessoas correram para as farmácias e mercados para comprá-lo, antes que os produtores pudessem se adaptar a esta nova realidade. Por isso, com uma explosão da demanda, o preço naturalmente subiu. Caso não suba, o produto inevitavelmente falta, pois as pessoas compram ainda mais do que precisam.


O preço mais alto, portanto, envia aquela informação ao produtor, como citei antes. Vendo o preço aumentar, o produtor percebe que mais pessoas estão comprando mais, e assim aumenta sua produção. Tudo isso leva um certo tempo, mas a questão é: Aumentando a produção, a quantidade de produtos se adapta novamente à procura da população. Adivinha o que ocorre? O preço tende a cair e se ajustar novamente.


Então o mercado é perfeito?


Não! É claro que, sendo formado por seres humanos, o mercado não é um mecanismo perfeito. Nós também não somos. Em um caso como este, sem sombra de dúvidas, surgirão produtores que tentarão levar algum tipo de vantagem. É o chamado comportamento oportunista. Estes produtores e vendedores podem aumentar o seu preço mais do que o necessário, para obter ganhos maiores. O ponto principal é que isto não é a regra. A grande maioria dos ofertantes só aumentará o seu preço na medida do necessário, até que a oferta se adeque à nova demanda.


Porém, uma ação de controle de preços por parte dos governantes afetará negativamente a todo o mercado, e não apenas àqueles poucos oportunistas. Isso porque a verdade é que o governo não sabe e não tem como saber qual é o preço ideal. Ao decidir arbitrariamente o limite de preços, TODOS os ofertantes são prejudicados pois já não recebem a informação correta sobre quanto produzir. Com preços limitados, a produção também fica limitada, e em um momento de tanta procura, o produto tende a faltar.


O problema do oportunista é passageiro e residual. Poucas empresas farão isso e ainda terão de lidar com a concorrência de outras empresas que não fizerem. Em crises como essa, inclusive, temos empresas que se comportam exatamente o contrário: Estão doando produtos e fazendo investimentos no sistema de saúde. Já o controle de preços prejudica toda a economia por muito mais tempo, em uma sanha de resolver artificialmente uma questão que seria resolvida naturalmente.


O mercado não é perfeito. Os agentes econômicos podem (e, provavelmente, irão) se comportar de forma oportunista em algum momento. O desafio, para países como o Brasil, está em como amenizar este comportamento. Em estimular que consumidores e empresários se comportem de forma mais solidária dentro das regras de uma economia de mercado livre. Neste sentido, tanto a teoria como a história, demonstram que a liberdade para empreender e produzir são princípios basilares para um melhor desenvolvimento e geração de riqueza.


É da prosperidade que aflora a fraternidade e os bons incentivos culturais. A liberdade econômica, inclusive de preços, ainda é a melhor forma para encararmos, de forma mais eficiente e solidária, a crise sanitária que a humanidade vive nos dias de hoje.


Não podemos deixar que casos específicos de oportunismo e ações populistas e irresponsáveis de governantes prejudiquem todo o mercado e, consequentemente, a população.


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