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COMO A DOUTRINAÇÃO EM ESCOLAS E UNIVERSIDADES TENTA MUDAR O PASSADO?


Recentemente uma polêmica tomou conta das universidades públicas brasileiras: mais de 30 instituições, dentre elas a UFSM, resolveram criar um curso sobre o “golpe de 2016”. Beleza, é do jogo. Não há nenhum problema em criar um programa de estudos que aponte para uma conclusão. Desde que isso seja feito com honestidade e respeitando princípios básicos da academia.


Uma pena que isso quase nunca seja feito no Brasil. O que temos em nosso país é  a famosa “doutrinação’.


Vi a programação e a ementa de vários dos ciclos de palestras, cursos de extensão e disciplinas eletivas sobre o “Golpe de 2016”. Sobram artigos do Diário Centro do Mundo, Brasil 247 e autores como Leonardo Sakamoto. Seriedade? Nenhuma.


O ex-senador, ministro da justiça e membro do Supremo Tribunal Federal Paulo Brossard tem uma obra inspiradora sobre o processo de impeachment. Ele facilitou nossa vida e a batizou de “O Impeachment”. Entre 2015 e 2016 qualquer um que quisesse entender os aspectos jurídicos do que poderia ocorrer com Dilma recorreu às suas palavras. Até os atuais ministros do STF o usaram como base, mas nenhum curso sobre o “golpe” fará o mesmo.


Não suficiente, nenhum dos cursos sobre o “golpe” estudará os relatórios do Tribunal de Contas da União, os produzidos na Comissão do Impeachment ou pedido em si.


Se isto afetasse apenas a mente dos envolvidos já seria um problema, mas é um problema menor. Afinal, cada um que acredite em suas religiões. O problema aqui é que essas pessoas escreverão livros parciais, publicarão artigos parciais e darão aulas parciais. Em pouco tempo, a verdade objetiva dos fatos será simplesmente esquecida. O aluno que lembrar da fraude fiscal, da armação para livrar Lula da cadeia e da impopularidade da então presidente será chamado de alienado.


Duvida? Isso já ocorreu mais de uma vez em nossa história.


Durante décadas se foi ensinado que o Brasil entrou em guerra com o Paraguai a mando da Inglaterra. O fato do Paraguai ter invadido o Brasil (e não o contrário) e estarmos com relações cortadas com os ingleses era solenemente ignorado.


Zumbi dos Palmares, por sua vez, foi transformado em herói da luta contra a escravidão. Mesmo tendo escravos, como era costume em sua época. Líderes liberais como Luís Gama, André Rebouças, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco foram sumariamente apagados dos livros de história. Até parece que estamos vivendo na obra “1984” de George Orwell, onde a história era reescrita quando era conveniente.

Vocês já devem ter percebido o padrão. Tudo que não se enquadra na narrativa do “nós x eles” é excluído dos bancos universitários. Até eventos que homenageiam vítimas de ditaduras - como “A Semana de Vítimas de Comunismo” em Florianópolis, Santa Catarina - são boicotados e ameaçados.


Essa dinâmica forma gerações inteiras incapazes de saber da sua própria história. Conhecem apenas a versão maquiada apresentada por seus professores. Eles a repetem para a sociedade em escolas, livros e jornais em um círculo vicioso difícil de escapar, mas há um modo de fazer isso.


O combate a desinformação deve ser feito diariamente. Como dizia o filósofo Murray Rothbard, não há nada que o Estado odeia mais do que um homem que pensa por conta própria.


Estimule a crítica e o ceticismo entre seus amigos e familiares. Você mesmo cheque fontes antes de passar algo para frente. Hoje, o melhor que podemos fazer para acabar com a doutrinação é escaparmos dela nós mesmos.

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Deputado Estadual pelo Partido NOVO Giuseppe Riesgo

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