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  • Giuseppe Riesgo

COMO A DÍVIDA PÚBLICA PODE NOS LEVAR À DESTRUIÇÃO DE NOSSA ECONOMIA


O embaixador Oswaldo Aranha foi o primeiro brasileiro a publicizar o que todo mundo já havia percebido. “A estabilidade fiscal de um governo leva ao crescimento econômico do seguinte”. Rodrigues Alves, Médici e o próprio Lula são a prova viva desta teoria.


O trio assumiu governos com as contas saneadas e em dia. Podiam gastar e por isso se tornaram populares. Aranha cunhou o termo “Pêndulo Campos Salles-Rodrigues Alves” para descrever o fenômeno.


No governo Campos Salles, medidas severas como queimar dinheiro chegaram a ser utilizadas para diminuir a inflação. Impopular, deu lugar a Rodrigues Alves que, por sua vez, investiu o dinheiro guardado na modernização do Rio de Janeiro. Ele quem colheu os louros de uma economia crescente.


Infelizmente, a história do Brasil com sua economia parece estar presa dentro deste pêndulo. Um governante responsável arruma as contas para, logo em seguida, um gastador plantar as sementes da destruição.


Infelizmente, a bonança pode durar um mandato, mas seus efeitos nocivos resistem. O pior deles é a “dívida pública”. Após o desastre Dilma Rousseff, nossa dívida pública explodiu. De um patamar próximo a 55% do PIB, em menos de dez anos ela já cresceu 30% e parece não ter teto!


Estamos fazendo uma bola de neve


Não é difícil perceber o grande problema disso tudo. Quando pagamos apenas o mínimo do cartão de crédito, no próximo mês teremos que pagar uma quantia de “juros”. Se sempre pagamos apenas o mínimo, uma hora os valores dos juros se tornarão maiores que a dívida original.


É nesse caminho perigoso o governo entrou. Uma dívida maior significa mais pagamentos para juros. Como o orçamento público não é infinito, isso significa retirar dinheiro de outras coisas apenas para pagar juros.


A outra opção do governo é, em vez de cortar gastos, aumentar impostos ou aumentar ainda mais a dívida. Ambas opções terríveis. Subir a tributação significa literalmente deixar toda a população mais pobre. Como sentimos os efeitos dessa medida imediatamente, ela é muito impopular e pouco tentada.


Emitir nova dívida, por outro lado, é uma conta que veremos apenas no futuro, mas também tem consequências imediatas. Você já experimentou pegar crédito no banco? Um empréstimo para abrir uma empresa ou até mesmo um empréstimo pessoal? Um dos motivos dos juros no Brasil serem tão caros é o fato do governo consumir quase todo o crédito para si.


7 em cada 10 reais de crédito são enviados ao governo. Todo o resto do Brasil luta pelos “três reais” restantes. Isso eleva o preço dos juros cobrados pelos financiadores. Não é mágica, apenas oferta e demanda. E o Estado brasileiro demanda muito.


E o que vai ocorrer se continuarmos nesse caminho?


Dever muito não é uma exclusividade brasileira. Outros países fizeram a mesma coisa e os resultados não foram agradáveis.


Um estudo feito por economistas do Fundo Monetário Internacional concluiu que aumentar a dívida pública leva a uma desaceleração econômica. O efeito é ainda pior em países em desenvolvimento.


Entretanto, o risco econômico não é o único. Países que não controlam suas dívidas estão arriscando sua democracia.


Dívidas atraem extremos


Uma crise fiscal gigantesca levou a cortes de serviços públicos, depressão econômica e muita insatisfação popular. Na hora que o dinheiro acabou, a população procurou respostas fáceis e procura uma saída autoritária. É a história da ascensão de Adolf Hitler, mas vem se repetindo com cada vez mais frequência.


Na Grécia, o cenário de crise fiscal levou à ascensão do partido de extrema-esquerda Syriza. Na Espanha, a crise da dívida fez o Podemos - um partido de extrema-esquerda com ligações com a Venezuela - se tornar um dos mais votados da eleição, quase ocupando o lugar de partidos tradicionais. O mesmo está ocorrendo com a Itália, mas na extrema-direita.


Até no Brasil algo parecido já ocorreu. Em 1964 um dos fatores que levaram à queda de João Goulart foi o descalabro fiscal da sua gestão.


Um estudo publicado pelo Centro de Estudos Econômicos de Munique analisou o período entre 1870 e 2014. Sua conclusão não deve ser surpreendente para você. Os países que passavam por crises financeiras, viam, logo em seguida, um aumento da preferência popular por extremistas autoritários.


George Washington foi o primeiro presidente dos Estados Unidos e costumava dizer que “se tratando de questões financeiras nenhuma é mais urgente do que o resgate e pagamento da dívida pública: não há lugar em que o atraso seja mais danoso ou o tempo mais valioso”.


O Brasil não está muito longe disso. Já chegou a hora de escutarmos e entendermos essas palavras.

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Deputado Estadual pelo Partido NOVO Giuseppe Riesgo

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