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A burocracia asfixia nossa produção



Uma das maiores dificuldades que vivenciamos em nosso dia a dia é a burocracia. Criamos um país tão difícil de entender que até para pagar impostos enfrentamos pesados empecilhos. A burocracia é tanta que, com o intuito de simplificar e, claro, arrecadar, foi criado o mecanismo de substituição tributária. Ele ocorre na cadeia de recolhimento, por exemplo, do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços, o nosso fatídico ICMS.


A ideia era substituir em apenas uma pessoa jurídica toda a cadeia de recolhimento do ICMS. Da ponta ao fim. Assim, o governo simplificava a arrecadação, facilitava a vida do cidadão, dirimia a sonegação e antecipava receita -, algo que sempre agrada aos governantes em questão.


Em outras palavras, o governo cobra todo o ICMS direto na indústria, prevendo o valor que o produto será vendido para o consumidor final. Dessa forma, o último revendedor não precisa recolher o ICMS, já que o imposto já foi pago no início da cadeia produtiva.


No entanto, o instituto da substituição tributária possui um problema: como saber quanto um produto custará à frente da cadeia de arrecadação hoje? Para resolver isso o governo criou uma série de indicadores, sendo o principal a margem de valor agregado (MVA). Só que distorções nesse processo ocorrem e existem pessoas jurídicas que recolhem a maior do que o previsto pela MVA, ou seja, pagam mais imposto do que deveriam, pois venderam o produto final com um preço menor do que o previsto pelo governo.


Para evitar que o consumidor (que é quem de fato paga o ICMS) “recolha” a mais nesse processo, o Supremo Tribunal Federal reconheceu o direito a restituição de possíveis arrecadações a maior por parte do setor privado que paga o ICMS “na ponta” final.


Como o Rio Grande do Sul está quebrado, a equipe econômica do governo passado (e deste) interpretou que se é possível que se restitua quem contribuiu mais do que se deve, também é possível que se cobre a complementação de quem supostamente pagou a menos na ponta final da cadeia desse tributo.


A despeito de sérias controvérsias jurídicas nessa interpretação do governo, o problema principal reside no fato da substituição tributária perder completamente o sentido quanto a simplificação do cálculo tributário e de sua arrecadação.


O Estado gaúcho e brasileiro já asfixia substancialmente nosso setor produtivo e o empreendedorismo. Não faz o menor sentido manter o mecanismo de substituição tributária se na ponta tudo terá que ser recalculado produto à produto de novo.


Eu e a bancada do partido NOVO estamos atentos a esse movimento do governo gaúcho. Não me furtarei em combater isso se preciso for. O Rio Grande do Sul quebrou e nada ajudará na solução de nossas contas se continuarmos a asfixiar o setor produtivo e a iniciativa privada.


Quando estamos no fundo do poço o mais importante é parar de cavar. Nosso Estado precisa se reinventar. Segurar os gastos, cortar privilégios e modernizar-se. Não é pelo lado da receita fiscal que se faz ajuste e sim pela despesa. Essa nova forma de cobrar o ICMS ST pode causar uma destruição da economia gaúcha.


O governo precisa fazer a sua parte. O gaúcho cansou de pagar a conta.


Originalmente publicado em https://claudemirpereira.com.br/2019/05/artigo-giuseppe-riesgo-e-a-burocracia-de-estado-que-asfixia-o-setor-produtivo-e-o-empreendedorismo/?fbclid=IwAR1sXenAUnf4AAkAfB0oyV9mmbeiiZUXvytxuDmPfzaRp9E2tLzp1niwmEw

Deputado Estadual pelo Partido NOVO Giuseppe Riesgo

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