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ÔNIBUS RUIM, PREÇO ALTO E QUALIDADE BAIXA. DE QUEM É A CULPA?


Todo início de ano é marcado por um ritual. Pessoas entram de férias, universidades dispensam seus alunos e prefeituras aumentam o preço da tarifa de ônibus. Em Santa Maria, o DCE faz protestos, ocupa a câmara de vereadores, e nada muda.


Mas o interessante é que o nomal é que o preço das outras coisas caia. Seu atual smartphone provavelmente é mais barato e potente do  que o melhor computador do início dos anos 2000. O mesmo vale para sua televisão, micro-ondas, geladeira e qualquer outra coisa. Mas não para o transporte público. Quanto mais tecnologia temos, mais caro ele se torna. Estranho, não?


O preço alto não é o único problema. Atrasos são constantes. O conforto é inexistente. As linhas não passam perto de onde queremos ir. E até mesmo saber o horário do próximo ônibus não é fácil. Resultado? Nós nos esforçamos para comprar e manter um carro que, como consequência, piora o trânsito.


A imprensa e os governos costumam demonizar quem tem um carro. Agem como se possuir um automóvel não fosse uma decisão racional. Só não percebem que, diante da dificuldade que é usar o transporte coletivo, preferir o transporte individual é simplesmente sensato. Infelizmente, essa decisão faz com que os engarrafamentos aumentem e passemos muito tempo presos no trânsito que poderíamos estar aproveitando nossa vida.


Então, o que explica esse fenômeno?


É simples. Falta de concorrência (que gera um monopólio, ou oligopólio). Os municípios são responsáveis por regular o transporte público. O mais comum é que as prefeituras façam licitações, elejam um vencedor, ou um grupo de vencedores e proíbam qualquer concorrência externa. Na maior parte das cidades brasileiras, um gênio empreendedor que revolucionasse os sistemas de ônibus seria apenas um ilegal.


Na minha cidade, Santa Maria, nem licitação a prefeitura fez, apesar da lei exigir. Há 28 anos temos um contrato que vem sendo prorrogado de forma ilegal, que beneficia um grupo de empresários e prejudica quem utiliza o transporte. Eu ainda acho que o ideal seria uma livre concorrência entre as empresas, mas não ter nem uma licitação é zombar com a cara do cidadão.


Com o privilégio de nunca ter concorrentes, as companhias de transporte coletivo sentem-se livre para aumentar os preços e não melhorar a qualidade do serviço. Além de não investirem em outras formas de angariar receitas, como a publicidade. Afinal de contas, eles são os únicos que têm autorização de oferecer o serviço mesmo. O transporte é público, mas, graças à maneira com que é gerido, o povo quer é distância dele.


Precisamos de soluções urgentes para o transporte público. Concorrência, certamente, é uma delas.

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Deputado Estadual pelo Partido NOVO Giuseppe Riesgo

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