Os tempos são de olímpiadas e, obviamente, de torcida pelo desempenho da nossa delegação lá no outro lado do mundo, em Tóquio. No entanto, para além da nossa torcida pelo Brasil, não podemos ignorar que ainda há muito a ser feito na estrutura tributária, fiscal, econômica, social e política do país. E, infelizmente, nestas modalidades, temos conquistados diversos ouros nada agradáveis para a nossa gente.

Para termos ideia, só em nosso ambiente de negócios, temos liderado o ranking da burocracia das normas, com méritos. Afinal, por aqui, o brasileiro dedica 1500 horas por ano só para lidar com as exigências e o pagamento de todo o emaranhado tributário disposto.

Essa burocracia toda, no entanto, não tem auxiliado o Brasil a obter bons índices fiscais e sociais. Segundo a Heritage Foundation, somos prata entre os nossos vizinhos latino-americanos quanto à saúde fiscal da nossa dívida pública e os déficits fiscais em relação ao nosso PIB anual (nessa competição amarga, nós perdemos apenas para a Venezuela). Já no âmbito social, o nosso indigesto ouro também está garantido.

Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o Brasil tem a pior a relação de retorno entre a carga tributária sobre o PIB e os resultados de cada país no Índice de Desenvolvimento Humano, medido pela ONU. Assim, também lideramos com o pior “Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade” entre os diversos países medidos pela pesquisa do IBPT.

Por fim, mas não menos impactante, também tiramos ouro nas injustiças estruturais do país. Além de termos, segundo o Comparative Constitution Projects, a Constituição mais longa (e inócua) entre os países da América Latina e da OCDE, ainda dispomos de um sistema político caro e bastante injusto.

Segundo o IMPA, em um estudo que reuniu dados de 35 nações de 2012 a 2020, o Brasil lidera o envio de dinheiro público para bancar partidos políticos e as suas famigeradas campanhas eleitorais e tira ouro com a maior disparidade entre os salários dos parlamentares em proporção à renda do seu povo.

Por aqui, segundo o FMI e outras fontes governamentais, nossos congressistas recebem mais de 16 vezes a renda média do brasileiro, colocando-se também no topo entre os países da América Latina e da OCDE na modalidade dos privilégios sistêmicos da nosso ordenamento político-eleitoral.

Em síntese, nessas modalidades o que não falta é ouro para o Brasil. Infelizmente, temos sido campões na geração de um Estado que amplia desigualdades, onera a população e atravanca a formação de riqueza da economia. A consequência? Um país pobre e, consequentemente, instável em termos sociais.

A olímpiada está aí para demostrar a bravura e a competência da nossa gente. Está na hora de valorizarmos os brasileiros e entendermos a importância do indivíduo na geração de riqueza e renda para o país.

Se o esporte edifica e nos faz comemorar, a liberdade de empreender, trabalhar e gerar riqueza é o caminho na busca por mais desenvolvimento e prosperidade social. Afinal, não é apenas no período olímpico que devemos nos orgulhar do Brasil.

Texto originalmente publicado em: https://claudemirpereira.com.br/2021/07/os-ouros-que-nao-queremos-por-giuseppe-riesgo/

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